novembro 16, 2010

Nós seis.

Sempre fui muito saudosista. Claro que acredito que mais importante é o que está por vir, e ainda mais importante é o agora, o aqui. Mas como já diziam, recordar é viver. Adoro rever fotos antigas, guardar bilhetinhos e papel de bombom, ler páginas de diário dos meus 12 anos.
E foi assim que aquilo que rasga um buraco no peito e sem piedade impõe um vazio escuro e sem dimensão me sobreveio: a saudade. Falo de cinco grandes amigas, Débora, Gláucia, Larissa, Letícia e Marina.

Ah, que saudade. Tempos de escola, em que a gente acordava cedinho, de mau-humor. Mas era tão bom. A estilosa Tina (é a Gláucia tá, não perguntem o porquê do apelido) sempre com seu alto-astral; a Dé e seu sarcasmo divertido escondido atrás de uma menina quieta e tímida; a Lez e suas preciosas pérolas (“gente, vou comprar o rímel da Contém 1 Glúten”); a Lari, inteligente e responsável, sempre linda e fofa; a pequena Mari completamente doida e animada; e eu.
Nós seis. Tão unidas. Tão amigas. Mas extremamente imaturas, hahaha. Perdi as contas de quantas briguinhas nós já tivemos. Porém, o que nos unia era tão maior e mais forte, que agora a gente olha pra trás e vê que existe saudade. E (pelo menos pra mim) só se sente saudade do que foi bom. E foi. Só não é mais devido às bifurcações da vida, que nos levaram a rumos distintos. Não importa. A essência de nós seis continua presente, aqui dentro.

Dedico o post a nós seis, que por anos não só estudamos juntas, mas muito mais que isso, rimos, brigamos, saímos, comemos (muito!), choramos, fofocamos, colamos, pagamos micos, dançamos, vivemos.
E não poderia ter sido melhor.

Palavras-chave: Best Friends Forever; Cindy; bilhete comunitário; The O.C.; brigadeiro da Tina; RBD; mosca morta, mosca viva e mosca em coma; ‘to na gorjeta’ (Mari); hormônios; fogueira; news-flash; menininhas; hambúrguer (da cantina de sexta); A.M.M.P.P.; piscina de mil litros; All Star – Smash Mouth; fotos na Renner; guerra de canudinho; Empório; fofocódromo; GEVU; entre outros.

outubro 22, 2010

Fé.

Pensava em escrever a respeito de minhas opiniões, minhas experiências, acontecimentos e sentimentos, como já disse aqui... Deixando de fora única e exclusivamente a maior e melhor coisa da minha vida: a minha fé, o meu Deus. Talvez fosse pelo fato de religião ser um tema polêmico e que não agrada a todos. De fato, este post não será um dos mais comentados. Não, eu não ligo. Aqui, dento de mim, não cabe mais a vontade de gritar aquilo que me move, que me desperta e que me apresenta a nítida razão pra vida.

Olhar pra janela aberta e ver o sol brilhando, nos aquecendo; o céu azul e as nuvens com formas engraçadas; a brisa suave balançando as folhas verdinhas das árvores. Como não perceber a perfeição e grandiosidade do Criador de tudo isso? Estudar o funcionamento da célula de um ser vivo, a complexidade do DNA, a interação completamente harmônica de todos os nossos órgãos e suas respectivas funções, nos possibilitando enxergar, respirar, ouvir, correr, falar, sentir. Como não ver Deus nestas coisas tão pequeninas?

Diante de tamanha beleza, nada mais me resta a não ser louvar o Criador e deixar, sem reservas, toda a minha vida nas mãos Dele, foi Ele quem me criou, e será Dele tudo o que eu fizer, meus pensamentos, minhas atitudes, meus relacionamentos. Tenho a plena certeza - não por mim mesma, mas pelo Espírito Santo que habita em mim, que tudo aqui nesta vida vale a pena, se for consagrado ao Senhor, pois Ele honra aqueles que o amam, e nunca, jamais, nos deixa no meio do caminho. Isso é o que me motiva ao início de cada manhã, é o que me faz sorrir ao olhar pela janela, é o que dá a esperança de que nem tudo está perdido, é o que me faz caminhar com os olhos fitos no meu maior exemplo de amor ao Senhor e aos outros, no meu maior exemplo de paciência, de santidade, de consagração: Jesus Cristo, que deu sua vida por mim, pra que hoje eu pudesse enxergar Deus nas grandes e pequenas coisas, pra que eu pudesse desfrutar dessa vida linda debaixo dos cuidados e do amor incondicional do meu Senhor.

Aos sem rumo, fica aqui o convite ao melhor caminho, chamado Jesus Cristo.
“Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Mateus 7. 13,14.

setembro 10, 2010

E nada.

O celular nunca foi tão irritavelmente silencioso. As horas passam cada vez mais devagar. E nada. Meus olhos começam a arder. O sono vem, mas há algo que me impede de dormir. Falo com outras pessoas, passeio pela casa. E nada. Vejo-me de um ângulo mais externo e até rio da patética cena. Eu e o celular mudo, frente a frente. Só o que consigo ouvir são nossos acordes embaralhados, nossos tempos descompassados e algumas notas tediosas. E mais nada.
Eu ainda não pude assimilar isso direito. Esse anseio por alguma notícia tua, algum telefonema, algum recado na vazia caixa postal, ou algum ‘eu te amo’ inesperado. Meus olhos se fecham involuntariamente, mas o subconsciente preocupado demais se encarrega de abri-los. Está frio, já passou da meia-noite, o silêncio toma conta do meu quarto sem pedir permissão. Procuro o que fazer, algo que possa me ocupar até que eu consiga dormir. Dormir. Só assim eu pararia de esperar pela maldita ligação.

Minha imaginação fértil o bastante para me distrair me leva às possíveis explicações pro celular não tocar. Chego até a me assustar com minha capacidade de imaginar coisas, no mínimo, improváveis. Ou não. Já é uma hora da manhã. E nada.
É de manhã. Não me lembro quando e como dormi, só sei que o vazio da ligação não recebida foi perfeitamente preenchido com o sonho mais doce em uma noite que parecia nada tranqüila. Pego o celular para ver as horas, e então a tua mensagem de texto sussurra um ‘eu te amo, nos vemos mais tarde’.

Não quero saber o motivo, a circunstância, a desculpa. Quero só você, hoje mais tarde.

E mais nada.

agosto 30, 2010

Discutível sintonia.

Pego-me lembrando as lembranças de você, aquilo que consegue vencer o tempo e involuntariamente permanece no meu subconsciente. Houve tempos que evitava estas lembranças, talvez pelo fato de saber que nada disso voltaria, ou então por preferir não ficar imaginando como seria o agora com você. 
Mas agora não, agora a recordação vem trazendo um brinde grátis: um riso nostálgico e os pensamentos de uma época boa. Não me importa mais como acabou, ainda que eu lembre de cada detalhe, cada gesto que ilustrava de forma atípica a sua partida. Nossos olhares aflitos se encontravam e pediam o óbvio, mas apenas o abraço suficientemente marcante selou essa nossa despedida. 


O nosso tempo juntos sempre foi diferente de tudo aquilo que nós já pudemos experimentar. Nossos gostos e opiniões opostas se aproximando cada vez mais, quebrando qualquer tipo de barreira. As noites chuvosas e hilárias que passamos acompanhados de coca-cola e videogame, as ideias divergentes, os conceitos completamente antagônicos. Entretanto, algo nos conectava. O amor? Creio que não. Poderia vir a ser, um dia, num futuro bem distante sem nenhum tipo de certeza. Talvez uma sintonia, que estranhamente conseguia diminuir esta distância ideológica. Mas eu era imatura demais para perceber tudo isso e ir levando como algo sem esse grau tão elevado de importância que o amor carrega consigo. Então, tive que agüentar as conseqüências, a dor impiedosa da partida, do buraco aberto no peito, do chão arrancado de debaixo dos pés. Foi neste tempo em que as lembranças resgatavam unicamente o vácuo, o escuro, o nada.


Até que essas lembranças começaram a resgatar outras coisas também. Ainda bem. Dizem que o responsável por isso é o tempo, que o tempo cura tudo. Não acho. O tempo não cura nada, ele não fez graduação em medicina, nem em psicologia. Ele apenas consegue habilidosamente deslocar o incurável do centro das atenções. E por vezes, isso já é o suficiente. Então o que sobra é a recordação mais gostosa e divertida, trazendo aquela esperança quase que eterna de receber o e-mail informativo sobre o dia e o horário que deverei buscá-lo no aeroporto.

Válvula de escape.


Sempre achei fantástica a arte de escrever, a capacidade de traduzir no papel teus pensamentos, opiniões, sentimentos, experiências. Tenho como influências autores consagrados como Clarice Lispector, Vinícius de Moraes e Cecília Meirelles. Entretanto, a finalidade minha aqui passa longe das obras maravilhosas de tais autores. Pretendo simplesmente libertar os pensamentos que, confinados na minha mente conturbada, clamam por uma ‘válvula de escape’, que permita a tradução dos mesmos em letras, palavras, parágrafos, numa expressão sólida daquilo que se passa neste confinamento.

Os dedos passam apressadamente pelo teclado, tentando redigir tudo que os afoitos pensamentos querem entender, assimilar. Minhas memórias engavetadas fazem barulho, e então as palavras vão se formando, as ideias vão se fechando, até que outros pensamentos começam a emergir e a procurar a tal válvula. É um ciclo vicioso. Vou borrifando ao vento aquilo que minhas mãos não conseguem escrever e, por hora, isso basta.