setembro 10, 2010

E nada.

O celular nunca foi tão irritavelmente silencioso. As horas passam cada vez mais devagar. E nada. Meus olhos começam a arder. O sono vem, mas há algo que me impede de dormir. Falo com outras pessoas, passeio pela casa. E nada. Vejo-me de um ângulo mais externo e até rio da patética cena. Eu e o celular mudo, frente a frente. Só o que consigo ouvir são nossos acordes embaralhados, nossos tempos descompassados e algumas notas tediosas. E mais nada.
Eu ainda não pude assimilar isso direito. Esse anseio por alguma notícia tua, algum telefonema, algum recado na vazia caixa postal, ou algum ‘eu te amo’ inesperado. Meus olhos se fecham involuntariamente, mas o subconsciente preocupado demais se encarrega de abri-los. Está frio, já passou da meia-noite, o silêncio toma conta do meu quarto sem pedir permissão. Procuro o que fazer, algo que possa me ocupar até que eu consiga dormir. Dormir. Só assim eu pararia de esperar pela maldita ligação.

Minha imaginação fértil o bastante para me distrair me leva às possíveis explicações pro celular não tocar. Chego até a me assustar com minha capacidade de imaginar coisas, no mínimo, improváveis. Ou não. Já é uma hora da manhã. E nada.
É de manhã. Não me lembro quando e como dormi, só sei que o vazio da ligação não recebida foi perfeitamente preenchido com o sonho mais doce em uma noite que parecia nada tranqüila. Pego o celular para ver as horas, e então a tua mensagem de texto sussurra um ‘eu te amo, nos vemos mais tarde’.

Não quero saber o motivo, a circunstância, a desculpa. Quero só você, hoje mais tarde.

E mais nada.